Clima e conflitos globais elevam incerteza para safra de grãos em 2026
Analistas preveem soja e milho em alta na Bolsa de Chicago diante de possível El Niño forte e custos de guerra.
Foto da capa: aleksandarlittlewolf/Freepik O agronegócio no Brasil e nos Estados Unidos entra em um período de alta sensibilidade, onde fatores climáticos e geopolíticos devem ditar o ritmo dos preços nas bolsas internacionais. Embora o cenário atual de curto prazo seja favorável para o milho safrinha brasileiro e o início do plantio americano, especialistas alertam que a margem de erro para a produtividade é mínima, especialmente com a confirmação de um fenômeno El Niño de forte intensidade no radar para o segundo semestre.
Dados recentes do NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) apontam uma probabilidade de 61% para a formação do El Niño entre maio e julho. Para o Brasil, o fenômeno redesenha o mapa produtivo: enquanto o Sul pode registrar excesso de chuvas, o Centro-Oeste enfrenta o risco de estiagem.
"Com isso, a bolsa de Chicago fica mais incerta e sensível a qualquer informação pois começa a se definir de fato a safra americana. Se o clima for um fator de queda para Chicago, isso afetará diretamente nos preços dos grãos brasileiros", analisa Ronaldo Fernandes, da Royal Rural.
Além do céu, o produtor olha para o balanço financeiro. A guerra no Oriente Médio encareceu insumos e combustíveis, pressionando as margens tanto no Brasil quanto nos EUA. No cenário doméstico, o setor lida com juros altos e crédito restrito. Nos Estados Unidos, o risco é o atraso no plantio de primavera.
Segundo Pedro Gomes, também da Royal Rural, "Qualquer atraso de plantio, somado a custo alto e ajuste de pacote tecnológico vira risco real para produtividade e área".
Do lado da demanda, dois fatores podem sustentar os preços. No Congresso americano, discute-se a liberação do combustível E15 (com 15% de etanol) durante todo o ano para conter a alta da gasolina causada pelos conflitos globais. Se aprovada, a medida aumentará o consumo interno de milho nos EUA para a produção de biocombustível.
Quanto à soja, o relatório da NOPA revelou que o esmagamento nos EUA em março atingiu 6,15 milhões de toneladas. Apesar de ligeiramente abaixo das expectativas, o volume é o maior para o mês nos últimos cinco anos.
"O NOPA mostrou que, mesmo abaixo do esperado, a demanda americana está muito forte. Esse volume é muita soja esmagada em março", reforça Fernandes.
Com o mercado atento ao Rio Grande do Sul — que busca recuperação após dois anos de perdas — e ao Norte do país, que pode ter calendários alterados pela estiagem, a palavra de ordem para o investidor e para o produtor é cautela. Qualquer nova previsão meteorológica será imediatamente incorporada à precificação dos grãos em Chicago.








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