Incra destinará R$ 100 milhões para compra de áreas para assentamentos
Acordo firmado em Campo Grande projeta assentar até 3 mil famílias ainda este ano após intensas negociações no estado.
Foto: Pedro Roque Uma exaustiva jornada de negociações neste último sábado (21) culminou em um avanço significativo para a questão agrária em Mato Grosso do Sul. O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) firmou o compromisso de que destinará cerca de R$ 100 milhões para a aquisição de uma fazenda, além de estabelecer a meta de assentar 3 mil famílias no estado ao longo de 2026.
Articulação e Pressão Popular
O acordo foi selado após um período de forte mobilização dos movimentos campesinos, que incluíram o bloqueio da rodovia BR-163 e a ocupação da sede do instituto na capital. A reunião decisiva contou com o presidente nacional do órgão, César Fernando Schiavon Aldrighi. O deputado federal Vander Loubet (PT) detalhou o resultado do encontro: “Chegamos a um acordo. O presidente do Incra se comprometeu, junto com o ministro Paulo Teixeira, com a disponibilização de cerca de R$ 100 milhões para a compra de uma fazenda”.
Estratégias de Expansão
Para atingir o objetivo de novos assentamentos, o plano de ação não se limita apenas à compra direta. O superintendente regional do Incra em MS, Paulo Roberto da Silva, explicou a dinâmica do trabalho: “Nós ficamos o dia todo em reunião com eles hoje, discutindo a pauta que apresentaram, e fomos pactuando um cronograma para realizá-la. Agora eles estão em assembleia para validar esse pacto”.
As frentes de atuação incluem:
Ampliação de lotes: Ocupação de áreas ociosas em assentamentos já consolidados (previsão de 1.100 famílias).
Desapropriações: Aceleração de processos envolvendo terras de devedores da União.
Força-tarefa: Criação de um grupo técnico para agilizar a análise de três áreas que já estão sob estudo para aquisição.
Fiscalização e Representatividade Feminina
Uma inovação do acordo é a criação de uma comissão formada exclusivamente por mulheres da Frente Unidade Agrária de MS, responsável por monitorar o cumprimento das metas. Solange Clementino, diretora-presidente do MCLRA, ressaltou a importância do grupo:
“Essa comissão de mulheres representa a Frente Unidade Agrária de Mato Grosso do Sul. Elas vão ser responsáveis pela fiscalização desse acordo, para que ele seja cumprido”.
Apesar da aprovação em assembleia, Solange mantém um olhar cauteloso sobre os avanços:
“Não totalmente. Acho que poderia ter avançado mais, mas já é alguma coisa. Para quem não tinha nada, já se abriu um leque”, concluiu.







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