Em carta aberta, Zelensky propõe reunião com Putin para encerrar guerra
Líder ucraniano sugere encontro em território neutro e a adoção de um cessar-fogo integral durante as negociações.
Foto: Piroschka van de Wouw/Reuters O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez um movimento diplomático contundente nesta quinta-feira (4) ao publicar um manifesto direcionado de forma direta ao mandatário da Rússia, Vladimir Putin. No documento público, o chefe de Estado ucraniano coloca sobre a mesa uma proposta para a realização de um encontro bilateral de cúpula com o objetivo de estabelecer os termos para a interrupção definitiva das hostilidades militares na região.
No corpo do texto, Zelensky tece duras críticas à postura adotada pelo Kremlin em relação à soberania da Ucrânia ao longo dos últimos vinte anos. O líder de Kiev também ponderou sobre o rastro de destruição provocado pelo embate bélico, chamando a atenção para o elevado índice de mortalidade entre as tropas no fronte e para o forte impacto econômico que gerou o encarecimento do custo de vida em solo russo.
Em um dos trechos mais enfáticos de sua mensagem, o governante faz um apelo claro pelo fim dos combates:
"A escolha agora é sua. Chega de guerra. A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra. Isso deve ser feito com honestidade, dignidade e com garantias de que a guerra não será reacendida"
Para viabilizar a aproximação das partes, o presidente ucraniano defende que a conferência de alto nível seja sediada em um país neutro, descartando totalmente encontros em cidades russas ou ucranianas. Ele propõe ainda a paralisação completa de qualquer atividade militar no período em que durarem os diálogos, apontando cenários ideais para a mediação:
"Existem países que, tradicionalmente, recebem líderes para resolver questões de guerra e paz. Suíça, Turquia e países do mundo árabe, por exemplo."
Reações do Kremlin e da Casa Branca
A resposta de Moscou veio por meio de canais de comunicação governamentais logo após a repercussão do documento. Embora tenha sinalizado que o presidente russo ainda não havia feito a leitura oficial do manifesto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, indicou que os canais para o diálogo na capital russa seguem abertos, conforme repercutido pelas agências estatais:
"Zelensky pode vir a Moscou a qualquer momento"
Do outro lado do Atlântico, a manifestação ucraniana colheu reações positivas no Salão Oval. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou seu apoio à abertura de conversações diretas entre os países envolvidos e sugeriu que os esforços americanos influenciaram essa aproximação:
"Fico feliz que estejam falando em se encontrar. Acho que tivemos muito a ver com isso"
O governante norte-americano complementou sua visão aos jornalistas na Casa Branca reforçando o tom favorável à diplomacia:
"Acho que seria ótimo se eles se encontrassem."







COMENTÁRIOS